Meu nome é
Auri Sônia, nasci no interior do Piauí no dia 05 de Janeiro
de 1978. Eu chorava muito quando minha mãe (D. Maria de Jesus) tentava
me sentar ou brincar de pular comigo, o motivo... as fraturas, que minha
mãe desconhecia completamente.
Estranhando muito
aquela situação, ela dizia que eu não era normal e
queria poder sair daquela cidade, para procurar um tratamento ou apenas
saber o que eu tinha. Mas as pessoas diziam:
- Você é
louca!! Essa menina não vai resistir a viagem! Então um médico
chegou da capital e minha mãe me levou até ele, mas ele desconhecia
o problema, e disse que em Brasília poderiam descobrir.
Imediatamente, minha
mãe, uma pessoa que nunca tinha saído de sua cidade, enfrentou
Brasília comigo no colo, em 1981, chegando aqui tive minha primeira
consulta no Hospital Sarah de Brasília, e os primeiros diagnósticos
foram horríveis, o médico disse a minha mãe, que ela
podia voltar comigo pro interior, que eu não iria viver muito tempo.
Mais depois esse médico foi substituído pelo o meu atual
médico, ele explicou a minha mãe que eu tinha Osteogênesis
Imperfecta, era uma doença genética, que não tinha
cura e que quando eu crescesse iria ficar estável e eu não
podia isso, não podia aquilo e pronto. Quando eu tinha uma fratura
eu ficava internada ou colocavam um gesso e me mandavam para casa.
Aos 7 anos de idade
fui matriculada em uma escola pública, era uma escola de tempo integral
que se chama Escola Classe Ipê, minha professora, que nós
chamavamos de tia Conceição que por duas vezes foi minha
professora no pré e primeira série, que me ensinou a ler
e escrever, era mais do que minha professora e sim minha mãe, ela
tinha o maior cuidado comigo, e a coisa mais importante que eu aprendi
nessa escola foi a não ter vergonha de mim mesma.
Não tive
muitos problemas na escola, só as fraturas que me deixavam muito
em casa, mas até rampinha nas portas das salas e banheiros eles
fizeram por mim, fui muito feliz nessa escola, meus amigos que me acompanharam
até a quarta série foi uma das melhores conquista de minha
vida. Eu amava as aulas de culinária e de artesanato que a professora
Hermelinda, que também carinhosamente chamavamos de tia, nos
dava, ela tinha uma tática nas aulas de artesanato de medir a linha
de bordar da ponta do nariz ao final do braço, como tenho braços
curvos, não conseguia-o esticar completamente, então sempre
precisava
de uma ajuda, eu era uma aberração na culinária mas
era melhorzinha no artesanato.
Passei por coisas
muito ruins na minha vida, uma delas foi a separação dos
meus pais que me deixou muito chateada e também naquele mesmo ano
eu já não conseguia ir mais a escola comecei a ter várias
fraturas e a sentir uma forte depressão, mas o tempo curou todas
essas coisas ruins e comecei novamente a colecionar coisas boas, uma delas
é o meu tio mais fofo é assim que eu o chamo (tio Onofre),
que um dia chegou com um computador antigo e falou que era para eu me virar,
e aprender a lidar com aquela máquina que eu nunca tinha mexido,
foi meu primeiro computador e minha primeira paixão.
Não pude
mais sentar, mais mesmo assim continuei e continuo a lutar pela minha vida,
gosto de fazer novas amizades, de sorrir e principalmente de viver, amar
e ser amada. Nessa luta tenho pessoas ao meu lado, minhas duas irmãs,
meu irmão que é um moreno muito gato, meu namorado, meus
sobrinhos fofinhos que matam de rir essa tia, minha querida mãe
e principalmente Deus.
Atualmente eu tenho
24 anos e faço digitação em casa, já fiz pinturas,
crochê e outras coisinhas mais, não somos deficientes e sim
pessoas eficientes
" Se Deus é por
nós quem será contra nós?".
Me escrevam:
auriss@bol.com.br.
Com Carinho
Sonia (ou
Auri)
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