Fraturas
As
fraturas são o principal problema para quem tem Osteogenesis Imperfecta.
São elas que às vezes causam as deformidades (encurvamentos)
nos braços e pernas e que podem, no caso da coluna e tórax,
vir a prejudicar - com o passar do tempo e se não houver tratamento
específico - o sistema os pulmões e o coração
do portador.
A seguir,
veremos algumas considerações sobre como lidar com as fraturas
de forma a minimizar a dor e também possibilitar uma boa recuperação
futura.
Fraturas
em crianças
Não
é fácil lidar com as inúmeras repetições
de casos de fraturas e com a visão de seu filho sofrendo a dor de
um osso fraturado. É preciso manter a calma e saber como agir para
que não haja desespero e isso não prejudique ainda mais o
estado físico e emocional da criança. Você deve ter
uma coisa em mente: fraturas possivelmente ocorrerão, não
importa o quanto cuidadoso(a) você seja. Elas devem ser aceitas como
parte da constituição física de sua criança,
apesar de já termos hoje tratamentos médico e fisioterapêutico
que comprovadamente diminuem a sua incidência.
Os
seguintes sinais podem indicar a presença de uma fratura em sua
criança:
1.
Ela pode chorar de repente e muito alto.
2.
A criança deixará de movimentar o membro fraturado.
3.
Você pode ouvir um som do estalo do osso quebrado ou quando quebra
ao manusear a criança.
4.
Você pode notar inchaço, ferimento ou calor da pele em redor
da área.
5.
Sua criança pode auto-imobilizar uma fratura no braço.
6.
Sua criança pode girar sua cabeça na direção
do braço fraturado para diminuir a tensão dos músculos
do lado do ombro.
Se
você suspeita de uma fratura:
1.
Tente ficar calmo/a e confortar a criança.
2.
Tente localizar a fratura tocando delicadamente apenas na superfície
de cada membro, começando com aquele onde você menos espera
a fratura.
Quando
ocorre uma fratura:
1.
Administre o medicamento analgésico como prescrito por seu médico
para aliviar a dor.
2.
Imobilize o braço ou perna temporariamente, usando as instruções
mencionadas abaixo.
3.
Cuidadosamente transporte sua criança para o médico.
Dicas
para imobilização de osso fraturado durante o transporte
para o médico:
1.
Para imobilizar o fêmur (osso da coxa) coloque uma proteção
de toalha entre as duas pernas e embrulhe ambas as pernas, juntas, com
uma bandagem elástica (ataduras de crepom, por exemplo).
2.
Outra opção é cortar uma peça oval de cartão
grosso, do tamanho da coxa, forrar com algo macio e colocar em volta dela
como um gesso, enrolando o lugar com uma bandagem elástica.
3.
Para imobilizar o úmero (osso de cima do braço), faça
uma tipóia temporária prendendo com alfinetes de segurança
a manga de uma camisa de manga longa no corpo da camisa acima e abaixo
do pulso e do cotovelo.
Seu
filho esconde a dor de uma fratura?
Vejam
alguns pensamentos de Sylvia Ann VanKempen para compreender as possíveis
razões por que crianças com OI algumas vezes escondem sua
dor:
Medo
de ser inconvenientes para a família e os amigos "de novo". ("Algumas
vezes minha família e amigos ficavam cansados de atravessar todo
o processo de hospitalização, vendo-me atravessar toda a
dor de novo").
Medo
dos pais ficarem bravos. ("Alguns pais, não os meus, atualmente
demonstram raiva pela inconveniência para eles de ter que hospitalizar
seu filho"). Algumas vezes as criança apenas se convence de que
os pais ficarão com raiva ou decepcionados.
Medo
de não poder ir a algum lugar mais tarde porque terá que
estar no hospital. ("Se a família estava planejando sair no próximo
feriado, ou eu estava planejando ficar com os amigos nos próximos
dias, eu não queria admitir que isso podia não acontecer").
Medo
de outra hospitalização, outro gesso, outra cirurgia, outra
série de raios X.
Culpa,
por dar "tanto trabalho" ("Quando eu me machucava durante um período
muito ocupado, isto é, Natal, eu sentia culpa porque minha mãe
tinha que me ajudar com outro osso quebrado durante o tempo mais ocupado
do ano").
Idéia
de ser corajoso/a, forte, resistente. ("Uma vez que sempre me foi dito
que eu era tão corajosa, eu acreditei que deveria ser sempre corajosa").
Dedicação
à escola/trabalho. Não deixar outra fratura obstruir esta
meta. ("no último ano, machuquei meu pé a caminho do trabalho;
não querendo admitir perder um dia, agüentei a dor até
voltar pra casa e então faltei no dia seguinte").
Racionalização
(esperança?) da possibilidade de não ser um osso quebrado.
("Talvez apenas uma contração muscular").
Fontes:
Dados das organizações OIFE,
OIF,
Site
Bone Pages do Dr. Horacio Plotkin e artigos científicos,
traduzidos sob autorização para o português por
Rita
Amaral para o site
Osteogenesis
Imperfecta. Textos compilados e reeditados para este website por
Carlos
Galvão Neto.