Dr. Celso Rizzi
Ortopedista Pediátrico
INTO- RJ
Tel. (21) 3872-7772
Centro Ortopedico Grajaú- RJ
Tel.: (21) 2570-6052
E-mail: celsorizzi@globo.com
ABOI - Para que serve a cirurgia de colocação
de hastes?
Dr. Rizzi - Servem para a fixação do osso na cirurgia
de correção das deformidades na OI. A cirurgia é
feita por meio de múltiplos cortes - chamados de osteotomias
- no osso deformado. A haste é usada para fazer o alinhamento
final do osso e sua fixação. As hastes também são
utilizadas em cirurgias após fraturas dos ossos longos como o
da coxa, o da perna e o do antebraço.
ABOI - Que tipos de hastes existem e quais são usadas em OI?
Dr. Rizzi - Existem as hastes rígidas, as elásticas e as telescópicas.
As hastes rígidas, como a "haste de Rush", são utilizadas quando não se tem as hastes telescópicas à disposição. São bem eficazes no caso das tíbias, uma vez que estes ossos não apresentam um crescimento tão rápido quanto o fêmur. Entretanto, necessitam ser trocadas a certos intervalos de tempo, de acordo com o crescimento do osso.
As hastes elásticas são utilizadas principalmente nas fraturas agudas e diafisárias de ossos longos. Quando utilizadas em pares e colocadas em sentidos inversos podem funcionar como hastes telescópicas.
As hastes telescópicas ou telescopáveis (HT) são,
na realidade, duas hastes de diâmetros diferentes que "pistonam"
entre si. Apresentam uma rosca de fixação em cada extremidade
e, à medida que ocorre o crescimento ósseo acontece a
"pistonagem" entre as duas hastes que compõem as HT.
Literalmente falando, "vai uma para cada lado".
ABOI - O que é a haste telescópica ou telescopável? Quais as suas vantagens e desvantagens?
Dr. Rizzi - Como disse, a HT é um par de hastes: uma chamada de "macho" e a outra de "fêmea", de diâmetros diferentes, que funcionam em conjunto como uma antena elétrica de automóvel. Apresentam uma forma de fixação em cada extremidade da haste para que durante o crescimento ósseo cada uma migre em direção oposta.
Dr. Rizzi - Sua vantagem é a possibilidade de um menor numero de cirurgias para a troca de hastes durante o crescimento e, com isso, uma menor agressão ao portador de OI.
Como desvantagem, apresenta um custo mais elevado que o da haste rígida
e a maior dificuldade na realização do procedimento cirúrgico.
As complicações, quando ocorrem, também tendem
a ser de maior dificuldade de resolução.
ABOI - Os braços também podem receber hastes?
Dr. Rizzi - Todos os ossos longos podem ser corrigidos: braços,
antebraços, coxas e pernas. As correções dos braços
tendem a ser de maior dificuldade técnica devido ao grande número
de estruturas nobres próximas ao osso, mas braços também
podem ser corrigidos.
ABOI - As hastes precisam ser retiradas depois de algum tempo?
Dr. Rizzi - As hastes só devem ser retiradas após o final
do crescimento, pois protegem o osso como um tutor interno. Findo o
crescimento, as hastes podem ou não serem retiradas, de acordo
com a avaliação do médico que acompanha o paciente.
ABOI - Por que algumas hastes saem do lugar (migram)?
Dr. Rizzi - As hastes que não apresentam nenhum tipo de fixação
- hastes rígidas - decorrido algum tempo da cirurgia, tendem
a ficarem "folgadas" dentro do canal medular do osso. Isso
ocorre devido ao próprio metabolismo ósseo, que reabsorve
o osso ao redor da haste e com isso facilita sua soltura e migração.
Caso isso ocorra, a haste deve ser reposicionada ou, após o crescimento,
pode ser retirada.
ABOI - É perigoso fazer um exame de ultra-som com uma haste dentro do osso?
Dr. Rizzi - Não é recomendado o tratamento fisioterápico
com o ultra-som. Exames diagnósticos podem ser realizados.
ABOI - Existe risco de rejeição das hastes?
Dr. Rizzi - As HT são confeccionadas em titânio, por isso
seu alto custo, diminuindo o risco de incompatibilidade entre o osso
e a haste. É importante diferenciar quadros de infecção,
que podem ocorrer em qualquer procedimento cirúrgico. Taxas de
infecção de 2 a 4% são normais em centros ortopédicos
de referência.
Apesar da extensão das cirurgias realizadas em pacientes com
OI, não tenho presenciado casos de infecção. Nos
últimos dois anos realizamos mais de 50 procedimentos cirúrgicos
em pacientes com OI e não tivemos casos de infecção.
No entanto, isto é uma constatação de momento e
particular do INTO.
ABOI - Qualquer portador de OI pode usar hastes?
Dr. Rizzi - Não existem diferenças entre os portadores
quanto ao uso ou não de hastes. Existe, contudo, a necessidade
de avaliação prévia do diâmetro e do comprimento
do canal medular do osso para a escolha do implante correto.
ABOI - Em que casos e idades as hastes são recomendadas?
Dr. Rizzi - As hastes podem ser utilizadas em qualquer faixa etária, principalmente após o inicio da marcha. Pacientes com deformidades importantes devem ser operados de forma precoce com o objetivo de evitar fraturas de repetição localizadas no ápice destas deformidades.
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