Edinho Silva (PT) coordenou audiência em comemoração
ao Wishbone Day, ou Dia Internacional das Pessoas com Osteogenesis Imperfecta,
doença também conhecida como Ossos de Cristal. O evento
aconteceu na manhã de 4/5, no auditório Paulo Kobayashi.
Também compareceu o líder da bancada do PT, deputado Enio
Tatto.
"Minha preocupação é com os pacientes de todas
as doenças raras como a osteogenesis imperfecta, doença
genética que afeta a vida de mais de 500 mil pessoas no mundo",
disse o deputado. A patologia ocorre em um a cada 20 mil nascimentos.
A principal característica é constatada ainda no feto
ou na criança, que apresenta fragilidade óssea, fraturas
provocadas por traumas leves e até mesmo sem causa aparente.
O evento foi promovido pelo gabinete do Deputado Edinho Silva, juntamente
com a ABOI (Associação Brasileira de Osteogenesis Imperfecta)
e o Instituto Baresi, fórum de associações de pessoas
com doenças raras e/ou com deficiências.
Aliando vontade política à um senso assertivo de cidadania,
o deputado Edinho Silva viabilizou que a discussão acerca da
osteogenesis imperfecta ultrapasse os muros dos hospitais e dos congressos
de ortopedia, como ressaltou Claudio Santili, médico ortopedista
pediátrico da Santa Casa de Misericórdia de São
Paulo (um dos 16 centros de referência de tratamento da doença).
Segundo o especialista, o diagnóstico da osteogenesis imperfecta
é feito nos primeiros momentos de vida, sendo que nos casos do
tipo 2 pode haver diagnóstico antes do parto, ao ser visualizada
no ultrassom a aparência típica do tipo 2, o chamado perfil
de passarinho ou a formação não tubular dos ossos.
"A detecção é difícil, mas é
essencial ao paciente, pois quanto mais cedo for iniciado o tratamento,
melhor para o indivíduo.
Tratamento
Há quatro tipos de osteogenesis imperfecta, sendo a do tipo 2 a mais grave. O tratamento é basicamente medicamentoso, melhorando a qualidade óssea. A expectativa de vida para pacientes mais graves, que era de 40 anos, atualmente tem se prolongado com o uso dos medicamentos mais recentes. Santili explicou que a patologia ocorre por um defeito ou diminuição do colágeno, substância fundamental na constituição óssea.
Apoio do Poder Público
"Esta campanha é para alertar as pessoas da importância
de cuidar das pessoas com Osteogenesis", disse Alexandre Sadao
Iutaka da Faculdade de Medicina da USP. Ele concorda com Santili sobre
a recomendação básica de que a melhor forma de
trabalhar com o assunto é disseminar informações
sobre suas peculiaridades e tratamentos. Além disso, segundo
Iutaka, é necessário chamar a atenção das
autoridades sobre a necessidade de apoio, incentivo à pesquisa
e à formação de profissionais. "A pessoa com
esta doença precisa de uma gama de profissionais que vai desde
especialidades médicas, como ortopedistas e otorrinolaringologistas,
a dentistas, psicólogos, terapeutas comuns e ocupacionais",
alertou o médico, indicando que além da fragilidade estrutural
dos ossos, os pacientes podem ter problemas de dentição,
surdez, de pele e de visão.
Devido à sua instabilidade óssea, os pacientes dependem
para se locomover dos pais e cuidadores, que, na ânsia de os poupar,
os retiram do convívio social. Esse comportamento é exatamente
contrário à recomendação médica:
os pacientes precisam de prática esportiva orientada, levando
sempre em conta as limitações individuais. Os pacientes
devem ter acesso aos estudos e informações, e a maior
assistência especializada para que seja completada sua inclusão
social. Como os doentes se dedicam a atividades intelectuais, seu preparo
é superior à média da população e,
como conseqüência disso, podem ser extremamente úteis
à sociedade.
Edinho Silva colocou seu mandato parlamentar em prol da causa. Durante
a sessão, foi homenageada Rita Amaral, paciente que deu início
a movimentos pela disseminação de informações
sobre a doença e seu tratamento. Ela foi fundadora da ABOI -
Associação Brasileira de Osteogenesis Imperfecta. A ABOI
foi a primeira associação de doenças raras a inaugurar
Centros de Referência no país, e estes funcionam a cerca
de dez anos. O modelo da ABOI permitiu uma grande soma de conhecimento
científico acerca da doença, mas falta incentivo do poder
público para que este conhecimento se materialize em políticas
públicas, concluiu Christiane Amaral, tesoureira da ABOI.
____________________________________________________________________________________________________________________
![]()